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Campus Confresa e parceiros lançam curso Agricultura e Pecuária de Base Agroecológica

Publicado em: Campus Confresa / 4 de Junho de 2018 às 14:12

Foi lançado nos dias 25, 26 e 27 de Maio no Centro Comunitário Padre Josimo, em Porto Alegre do Norte, o curso de formação inicial e continuada de trabalhadores - FIC: Agricultura e Pecuária de Base Agroecológica. O curso foi organizado por uma parceria do IFMT campus Confresa com a Prelazia de São Félix do Araguaia, por meio da Comissão Pastoral da Terra- CPT Araguaia, Secretaria Municipal de Agricultura de Confresa e EMBRAPA Agrossilvopastoril/Sinop, com recursos financeiros da entidade de cooperação Miserior. 

Segundo Fernando Schneider, coordenador, “O grande diferencial do curso é que ele foi pensado para ser uma escola de troca de experiências. Serão seis módulos de espaço de convergência,  aprendizado e socialização desses aprendizados que estão já sendo diariamente aperfeiçoados pelos agricultores/as familiares que estão participando”. 

O curso tem um total 40 participantes, sendo que cerca de 16 são jovens. Os outros são homens e mulheres que vivem em assentamentos da reforma agrária, ou já são ligadas a agricultura familiar, ou  de comunidades indígenas e reservas extrativistas. A articulação para o convite dos participantes foi feita pela CPT Araguaia, que tem ampla relação com associações de pequenos produtores de toda região do Araguaia e Xingu.   

Neste primeiro módulo, os alunos tiveram aulas com o professor doutor Manuel Baltasar Batista da costa, engenheiro agrônomo aposentado da Universidade Federal de São Carlos-UFSCar, que fez introdução a História da Agroecologia. “São agricultores familiares, alguns deles já tem boa experiência na produção orgânica, agroecológica, então acho que está bem interessante, uma contribuição muito boa. A gente tem trazido alguns elementos para eles mas, é a prática deles que conta. Eu digo muito que a gente técnico é o teórico, mas na prática quem faz é o agricultor, então para nós é muito interessante”, disse o professor. 

O professor destacou ainda a importância da agricultura familiar: “hoje tanto pela crise agrícola, pelos problemas de saúde e custo de produção até, essa tecnologia moderna, primeiro impacta muito o ambiente, e segundo porque os venenos são uma temeridade tanto pro meio ambiente (porque joga - se veneno por tudo e intoxica trabalhador e tudo o mais) quanto para nós, porque muito desse veneno que é usado no alimento que a gente come, e no fim tem uma série de problemas digestivos que nem sempre o médico identifica”. 

O professor ainda fez uma análise da inter-relação, ou inexistência dela, entre as atividades produtivas do homem: “Eu brinco muito que nós agrônomos aprendemos na escola adubo, veneno e máquina, e os médicos aprendem sobre os problemas de fígado e rins, mas não associam isso ao agrotóxico. Então, tem uma série de problemas que às vezes a gente tem e nem sabe, mas, se for na origem muitas vezes é pelo péssimo alimento que tá consumindo, por causa desse resíduo de veneno”. 

Alguns estudantes registraram o significado de estarem participando do curso: “pra mim é ótimo porque é uma experiência que eu levo pro assentamento, e diante do curso agora é interessante ver a realidade de cada um, e a gente vê que não é só a gente que tem dificuldade. O importante é que ajuda a fortalecer essa questão de trabalhar a agroecologia, consorciar as matas com o trabalho da agricultura familiar”, declara Anderson Righi, assentado do PA Bordolândia em Bom Jesus do Araguaia. 

Já para dona Valdiva de Oliveira e Silva, o curso tem significado de aperfeiçoamento: “eu já vivo nessa atividade da área que eles tão ensinando aqui, já tenho um pouco de conhecimento e estou em busca de mais conhecimento sobre agroecologia, trabalhar sem a situação dos defensivos agrícolas e os venenos. E aqui a gente está aprendendo com o professor e trocando experiências com as pessoas que estão na mesma atividade que estou”. 

Dois egressos do IFMT campus Confresa também estão no curso, Clarrisse nunes, que hoje vive no assentamento Dom Pedro, município de São Félix do Araguaia e Edilson Sisywapare tapirapé - Aldeia Urubu Branco, Confresa. “Quando vi o convite, o que mais me chamou a atenção foi a questão do convívio nosso no campo, plantar de forma agroecológica. Ser aluno do curso está significando muito até como exemplo pra minha própria comunidade, para que os jovens não fiquem fora do campo porque ele também dá varias possibilidades da gente ter uma vida melhor, mais saudável e mais tranquila” diz a jovem de 24 anos esperando um bebê. Já o rapaz destaca: “ pra mim é muito importante porque é uma experiência nova que tô aprendendo sobre a terra, como que é utilizada pra plantar, então, eu tô aprendendo muita coisa aqui que a minha comunidade nem sabia também”. 

O curso prevê dois encontros anuais, nos quais os estudantes ficam em tempo integral, de sexta-feira a domingo hospedados no Padre Josimo. O próximo módulo do curso Já terá uma feira de troca de sementes e até animais, caso os alunos se interessem, segundo Schneider, o objetivo é possibilitar que a troca de informações genéticas seja sempre possível. 

O coordenador ressaltou que mais de cinquenta por cento dos alimentos consumidos nos três dias de curso tiveram o cuidado serem adquiridos diretamente de agricultores familiares da região.

 Confira Aqui Galeria de Imagem imagens do curso 

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