Colaboradores do Programa Solo Vivo se reúnem para integração, avaliação e preparação da nova etapa do projeto

Encontro marcou o encerramento da primeira fase e o início do processo de monitoramento que será ampliado a partir de 2026

O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) realizou, entre segunda (8/12) e terça-feira (9/12), uma programação especial reunindo bolsistas, supervisores e colaboradores do Programa Solo Vivo. As atividades ocorreram em continuidade à solenidade de lançamento da edição especial da revista Digoreste, que celebrou os resultados da primeira etapa do projeto e foi apresentada na manhã de segunda-feira com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Na tarde do mesmo dia, toda a equipe técnica — incluindo supervisores de campo, supervisores de laboratório e estudantes — participou de uma reunião de alinhamento sobre o trabalho realizado até aqui e sobre os primeiros passos da nova fase do programa, que terá seu escopo triplicado a partir de 2026. A expansão atenderá 32 assentamentos, ampliando significativamente o alcance do Solo Vivo. Os estudantes também fizeram um tour pelas instalações do Campus Campo Novo do Parecis e visitaram a área de campo utilizada pelo IFMT.

Na terça-feira pela manhã, os colaboradores tiveram um encontro específico voltado para orientações quanto ao encerramento da etapa 1. Nesta fase, todas as famílias atendidas pelo projeto receberão presencialmente um exemplar da revista Digoreste e o laudo completo da análise laboratorial do solo de suas propriedades. Ainda no período da manhã, a equipe recebeu instruções sobre a aplicação de um questionário de avaliação que será respondido pelos produtores contemplados, com o objetivo de monitorar a execução das ações e avaliar a satisfação dos beneficiários.

Para o coordenador-geral do Solo Vivo, Marcos Valin Jr., o encontro cumpriu um papel estratégico de integração das equipes e de transição para a próxima fase do programa. Ele ressaltou que o planejamento das ações segue o ciclo PDCA — planejar, fazer, checar e agir — e que a revista recém-lançada já representa um primeiro momento de checagem, ao compilar dados e consolidar resultados. Valin destacou que a entrega presencial dos laudos e da revista faz parte de um esforço de transparência e proximidade com o agricultor. “A equipe que coletou o solo voltará às propriedades para entregar pessoalmente o material. É importante que o produtor tenha em mãos um documento com seus dados e entenda como estava seu solo e o que foi aplicado”, explicou.

Segundo o coordenador, outra etapa essencial é o monitoramento, que se inicia agora com a aplicação do questionário. O instrumento pretende avaliar satisfação, impactos e percepção dos agricultores. A expectativa é que, ao longo de 2025, o trabalho gere índices e indicadores que subsidiem a publicação de um anuário técnico-científico no próximo ano. “Hoje iniciamos oficialmente a pesquisa de monitoramento”, afirmou Valin.

O coordenador adjunto técnico do projeto, Fabrício Ribeiro de Andrade, ressaltou a importância de fortalecer a equipe para a segunda etapa do Solo Vivo. Ele destacou que o momento de feedback realizado com os supervisores foi essencial para apresentar o funcionamento completo da operação, desde a coleta até as etapas internas do projeto. Para Andrade, a maturidade adquirida pela equipe permitirá enfrentar com mais segurança os desafios da ampliação anunciada. “Aprendemos muito com a prática. Hoje temos clareza do processo, dos gargalos e das necessidades. Não será mais fácil, mas certamente será mais tranquilo pela experiência adquirida”, avaliou.

A perspectiva dos estudantes também marcou o encontro. João Vitor Ribeiro de Oliveira, aluno do 3º ano de Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio do IFMT Campus Juína, relatou a importância da experiência prática vivida na primeira etapa. Para ele, a vivência em campo foi essencial para compreender de forma completa o conteúdo estudado em sala. “Era algo que só conhecíamos na teoria. Conversar com o produtor, conhecer diferentes regiões e entender como trabalhar em cada realidade foi muito enriquecedor”, afirmou. Ele destacou ainda a troca entre equipes de diferentes campi como um dos pontos altos do evento.

Para o servidor técnico-administrativo do IFMT Campus Confresa, Ivaldo Afonso da Silva, que atua na instituição desde 1996, participar do Solo Vivo tem sido uma experiência marcante. Ele recorda a dúvida inicial sobre sua contribuição, mas afirma que o aprendizado e o envolvimento com a equipe o fizeram compreender a dimensão social do projeto. “Vimos propriedades que há mais de 40 anos não recebiam um grão de adubo. Hoje muitos produtores já estão colhendo graças ao Solo Vivo. Isso significa mais renda e mais alimento para as famílias”, afirmou. Segundo ele, acompanhar o impacto direto na vida dos agricultores trouxe uma realização profissional e pessoal única.

Com o encerramento da primeira fase e o início da etapa de monitoramento, o Solo Vivo entra em um novo ciclo de consolidação. O programa, que se destacou nacionalmente pelo alcance e pelo ineditismo da atuação conjunta entre ensino, pesquisa, extensão e apoio direto à agricultura familiar, prepara-se agora para uma nova jornada a partir de 2026.

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