Estreia do karatê no JIFMT 2025 movimenta estudantes-atletas e amplia diversidade esportiva do evento

Modalidade inédita reforça o papel das artes marciais na formação humana e marca um avanço na inclusão esportiva nos Jogos do IFMT

A 10ª edição dos Jogos do IFMT (JIFMT 2025) começou com um alto nível de competitividade, disso ninguém duvida. No entanto, engana-se quem pensa que a disputa se manteve apenas nos campos, quadras e mesas de jogos. No campus Cuiabá – Octayde, uma das três sedes do evento, a integração de uma nova modalidade foi responsável por abrilhantar ainda mais esta edição e evidenciar a diversidade esportiva promovida pelo JIFMT. Estreando com entusiasmo na manhã desta quarta-feira (27), a arte marcial karatê movimentou os estudantes-atletas em sua aguardada estreia nos jogos.

Na primeira participação da modalidade no JIFMT, diversos campi estão sendo representados por estudantes-atletas com idades entre 16 e 19 anos, divididos por categorias. Além daqueles que competem na sala de lutas do IFMT Campus Cuiabá – Octayde, a inclusão do karatê foi celebrada por autoridades que contribuíram para a viabilização da modalidade nesta edição. Um dos nomes de destaque é o coordenador da modalidade, professor Ronnie Barbosa, do Campus São Vicente.

O professor também ressaltou o apoio do presidente da Comissão Disciplinar do JIFMT 2025, professor Michael Alves, essencial para que o karatê fosse incluído nesta etapa, contrastando com a ausência da modalidade em outras fases dos Jogos dos Institutos Federais. “Esse ano a gente conseguiu, depois de muita tentativa, conseguimos incluir o karatê nos jogos, pelo menos aqui na etapa estadual. Eu espero que o karatê seja consolidado esse ano como a modalidade oficial dos jogos do Instituto Federal.”, relata.

Mas afinal, o que é o karatê?

Antes de abordar os conceitos básicos da modalidade, é importante destacar o viés pedagógico que essa arte marcial pode oferecer na formação dos estudantes-atletas. “É muito gratificante porque as artes marciais, elas têm uma função na formação do cidadão. Ela é plástica, ela é bonita e ela é educativa também. Toda a filosofia da arte marcial vem fazer com que a pessoa esteja superando seus obstáculos, suas dificuldades a cada dia mais.”, enfatiza o professor Ronnie.

Com origem no Japão, por volta do século XV, o karatê é composto por golpes como socos, chutes, joelhadas e cotoveladas, sendo uma prática voltada tanto à defesa pessoal quanto ao desenvolvimento físico e mental. A modalidade ganhou destaque mundial ao integrar os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, realizados em 2021.

O karatê possui dois principais conceitos de atuação: Kata e Kumite. O Kata é a execução de formas e sequências de movimentos pré-estabelecidos que simulam um combate contra adversários imaginários, com foco no aprimoramento técnico, disciplinar e na precisão dos golpes. Já o Kumite é o combate real contra outro atleta, cercado de regras que asseguram a segurança dos participantes, exigindo estratégias e domínio técnico para alcançar bons resultados.

Educação e esporte: união que transforma

A inclusão do karatê no JIFMT 2025 representa um marco na história dos jogos e dos oito campi envolvidos, que juntos destinaram 16 estudantes-atletas às competições de Kata e Kumite. Entre as unidades participantes, destaca-se o Campus São Vicente, que contou com atletas em todas as categorias.

O campus de Alta Floresta também teve participação expressiva, especialmente nas categorias masculinas de 16-17 anos, tanto no Kata quanto no Kumite, além da presença feminina. Já os campi Guarantã do Norte, Rondonópolis, Cuiabá – Bela Vista, Campo Novo do Parecis, Cáceres e Sinop foram representados por pelo menos um atleta em algumas das categorias, reforçando a diversidade regional da competição.

“Hoje o IFMT, na federação de karatê, é reconhecido como academia. O atleta faz a inscrição não pela Zanca Dojo ou pela Shotokan, e nem por outras academias. Ele faz a inscrição dele no estadual pelo IFMT.”, destaca o professor Ronnie.

Essa relação entre ensino e esporte vai além dos tatames. Além de coordenar o karatê, o professor Ronnie também atua como responsável pelo judô no JIFMT 2025. Em seu campus, promove impactos sociais e educacionais que ultrapassam os limites das artes marciais, como conta o estudante-atleta Vitor Hugo Queiroz, do Campus São Vicente.

“Inclusive, graças ao meu professor Ronnie, eu consegui até uma bolsa pra me ajudar com essas despesas (relacionado a campeonatos). Em grande parte das competições eu consigo ajuda da própria instituição. Faz total diferença, principalmente pra mim que sou uma pessoa de baixa renda.”, diz Vitor Hugo.

Em seu 3º JIFMT, o estudante do curso Técnico em Agropecuária é destaque no karatê em Mato Grosso, com várias medalhas conquistadas. Em 2024, representou seu campus na 35ª edição do Campeonato Brasileiro de Karatê-DO Tradicional e, com apenas 17 anos, já se prepara para a edição de 2025, que acontecerá de 4 a 7 de setembro em Teresópolis (RJ).

Apesar das grandes metas, Vitor Hugo vive uma competição por vez. Com dedicação nos treinamentos, já antecipa a emoção de conquistar o lugar mais alto do pódio no JIFMT 2025: “Vai ser um sentimento de satisfação. Treinei muito, muito mesmo pra estar aqui. Participo dos treinos da seleção mato-grossense de karatê, que é um nível bem elevado. Estou com muita vontade de testar o estilo dos adversários, não como forma de desafio, mas como forma de conhecer, de vivenciar as experiências deles.”

Apaixonado por esportes, o estudante pratica diversas modalidades de combate no Campus São Vicente. No JIFMT 2025, não será diferente: participará tanto do karatê quanto do judô. Ainda assim, ele revela qual pódio teria um sabor especial: “Com certeza o karatê. Mas eu gosto de dizer que um complementa o outro. Judô complementa o karatê no sentido de derrubar. Então acho que as duas se completam muito bem.”, conclui.

Texto: Andrey Bonfim – Estagiário – RTR
Revisão: Thiago Almeida – Jornalista – RTR

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