As mulheres e meninas são maioria das estudantes no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso ocupando 9.813 vagas de um total geral de 17.869 matriculas, o que representa 54,9%, enquanto os homens e meninos ocupam 8.056 vagas, significando 45,08% das vagas. Os dados são Pró-Reitoria de Ensino (Proen) tendo como ano base 2025, referente a todos os cursos ofertados pela instituição (ensino médio integrado, subsequente graduação, pós-graduação e formação inicial e continuada).
Na pesquisa, das 329 bolsas de pesquisa ofertadas pelos editais da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propes), as mulheres detêm 178, ou seja, 54%. As bolsas são oriundas da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemat) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Na extensão, são realizados alguns programas de extensão que possui como foco atendimento às mulheres, como Tereza de Benguela e Mulheres Mil. Como também nos projetos de extensão, Maria Terra, Asas do Futuro e Cuidoteca. No Programa Tereza de Benguela foram atendidas 1.550 mulheres entre os anos de 2024 e 2025; no Programa Mulheres Mil foram atendidas 618 em 2025. Já no Projeto Maria Terra foram atendidas 600 mulheres e no Projeto Asas do Futuro 30 mulheres.
A estudante Ana Lívia da Silva Gomes, 23 anos, faz o curso de engenharia de controle de automação no IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva e participa do curso de instaladora de sistemas fotovoltaica do projeto Asas do Futuro. Ana Lívia falou que tem sido uma experiência ímpar estar numa turma do Projeto Asas do Futuro que se integra e se sente acolhida pela comunidade escolar a participar do curso.
“O curso tem muitas facetas, estuda o papel da mulher, como é importante a gente ser integrada a essa área. A área de engenharia é predominantemente masculina. Tanto que no curso que faço de engenharia sou a única menina da minha turma. Estar sendo incluída e ter esse incentivo a mais, porque já faço engenharia, ter esse convite de participar de um curso que está sendo muito legal. É uma experiência de acolhimento, de entendimento que a mulher pode estar onde quiser, não é só nas áreas que são predominantemente femininas. Mas sim em qualquer lugar! Todos os lugares têm oportunidades, a gente só que tem que procurar e encontrar as oportunidades certas”, disse a estudante Ana Lívia da Silva Gomes.
Ela salientou que mesmo tendo um acolhimento por parte da instituição, ela salienta que no Projeto Asas do Futuro todos os professores são homens, e na sua graduação tem apenas uma professora mulher, a docente Ana Claudia de Azevedo.
A agricultora, Zilma Silvana de Godoi Reis faz parte da comunidade do Assentamento Santo Antônio da Fartura, situado no município de Campo Verde, participa do Programa Maria Terra que é uma colaboração entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) com o objetivo principal de promover o protagonismo feminino no meio rural.
“Está sendo muito legal participar, somos um grupo de mulheres e todas nós recebemos insumos, sementes, adubos, calcário, várias coisas. Tem sido um privilégio para a gente. Recebemos as visitas dos agrônomos e dos técnicos nas nossas hortas e nos ajudam”, disse Zilma Reis.
O programa Maria Terra busca fortalecer o desenvolvimento sustentável, o associativismo e a geração de renda na agricultura familiar. Os produtos produzidos são entregues para a Conab e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal.
A presença no serviço público: As mulheres são maioria entre as técnicas-administrativas
Já a presença feminina na carreira das servidoras da educação é menor em comparação aos homens. As técnicas-administrativas e docentes somam 846 profissionais ocupando 42% das vagas, enquanto os homens totalizam 1.164 profissionais, o que representa 57,9% dos cargos. Ao fazer um comparativo entre técnicas administrativas e docentes, as mulheres são maioria entre as técnicas administrativas com 440 profissionais, enquanto os homens com 400. Todavia, na docência as mulheres são minoria ocupando 406 cargos e os homens 764.
Na Propes, ao fazer um recorte dos 151 projetos que estão no prazo de vigência, 87 projetos são conduzidos por homens, representando 58% e 64 por mulheres, o que significa 42%. A coordenadora de Pesquisa e Inovação no IFMT Campus Pontes e Lacerda – Fronteira Oeste, a professora doutora Mayara Cristina Santos Marques afirma que no campus existe uma expressiva participação de mulheres na pesquisa.
“Atualmente, cerca de metade dos projetos desenvolvidos no campus são coordenados por mulheres, incluindo docentes e técnicas administrativas, além de contar com a significativa participação de bolsistas do sexo feminino. Esse cenário evidencia o interesse, a dedicação e a relevância da atuação das mulheres no desenvolvimento científico e na produção de conhecimento”, destaca Mayara Marques.
Um projeto pioneiro no IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva visa apoiar as mulheres que são mães, tanto servidoras como alunas, a Cuidoteca. A professora do Departamento de Infraestrutura e coordenadora da Cuidoteca, Michelle Fabiane Carvalho Bueno Sato, conta que o projeto foi pensado desde 2023 por conta de uma demanda das alunas do curso de engenharia civil que são mães, mas não possuíam uma rede de apoio para deixarem seus filhos enquanto estudam, e terminavam deixando o curso.
Por conta dessa demanda, Michele Sato conta que levou essa dificuldade para a direção-geral que inseriu no planejamento das ações. Ela juntamente com outras servidoras do campus elaboraram um projeto e foram aprovadas no edital do Programa de Qualidade de Vida do IFMT para inicialmente atenderem os filhos das servidoras. Além disso, foi informado à Pró-Reitoria de Extensão que inscreveu a instituição no chamamento público lançado pelo Ministério das Mulheres que prevê a oferta pública de cuidotecas para atendimento dos filhos e filhas das estudantes, em universidades e em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs).
As atividades no campus iniciaram antes dos recursos federais chegarem. “Iniciamos em outubro para filhos das servidoras e em novembro para filhos das estudantes. No final do ano passado fizemos seleção via edital para as estudantes que precisavam dessa rede de apoio. Toda mãe quer estar perto dos seus filhos, como mãe de três filhos, me simpatizei com essa demanda das alunas. Eu mesma utilizo a cuidoteca e trago meus filhos aqui, não conseguiria executar algumas atividades na instituição se não tivesse esse apoio”, conta a professora Michelle Sato.
O IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva inaugurou oficialmente no dia 23 de fevereiro a primeira Cuidoteca da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica do projeto do Ministério das Mulheres.
Outro projeto de apoio às mulheres, é o incentivo as lideranças femininas, a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Propessoas) lança anualmente um edital específico para capacitação, sendo disponibilizada uma vaga por campus. Este ano será a terceira edição e no ano de 2025 contou com 21 participantes.

