Na última semana de novembro de 2025, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) conquistou dois dos resultados mais expressivos de sua trajetória na pesquisa. A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou duas propostas institucionais elaboradas pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propes). Os investimentos ultrapassam R$ 9,9 milhões, divididos entre a implantação de dois laboratórios multiusuários de pesquisa (R$ 8,8 milhões) e a manutenção preventiva e corretiva de equipamentos de pesquisa em nove campi (R$ 1,115 milhão).
Segundo o reitor Júlio César dos Santos, o conjunto das aprovações eleva o IFMT a um novo patamar de atuação científica. Como destacou, “os laboratórios multiusuários representam o maior investimento da história do IFMT: R$ 8,8 milhões. Eles conectam o Instituto à sociedade, às empresas e às instituições parceiras, ampliando oportunidades de pesquisa, inovação e formação para nossos estudantes.”
Infraestrutura científica será ampliada com a criação de dois laboratórios multiusuários
A aprovação na Chamada Pública Proinfra Desenvolvimento Regional – Norte, Nordeste e Centro-Oeste (NNECO 2024) garantirá ao IFMT a construção de dois laboratórios essenciais para o fortalecimento da pesquisa aplicada no estado. A decisão positiva contou com a participação fundamental da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pois, mediante ao processo de contrapartida financeira do governo do estado através da Fundação, que os recursos serão destinados para diversas instituições públicas de ensino de Mato Grosso.
Incluso a contemplação das universidades públicas do estado e outros dois institutos vinculados ao setor da agroindústria, o presidente da Fapemat, Marcos de Sá Fernandes da Silva, destacou a valorização das pesquisas que, também ocorre por meio de um investimento que busca fortalecer a infraestrutura das instituições na área: “52 milhoes que são investidos em laboratórios multiusuários, que prestarão serviços para o privado, para a academia e também, para o governo.” No caso do IFMT, são para a execução dos laboratórios multiusuários:
- LaPeMa – Laboratório de Pesquisa Multiusuário Agroambiental do Vale do Araguaia (Campus Primavera do Leste)
- LaBiMAS – Laboratório Multiusuário de Biomonitoramento e Sensoriamento de Agroecossistemas (Campus Barra do Garças)
Ambos atenderão pesquisadores internos e externos, instituições parceiras e empresas, como determina o conceito de laboratórios multiusuários definido no edital, que exige uso compartilhado, equipe técnica e regras de acesso claras. O professor Willians Mendes, do Campus Primavera do Leste, responsável técnico pela submissão na plataforma FINEP, explica que os novos laboratórios formam uma rede integrada de pesquisa voltada à sustentabilidade do agronegócio.
Ele reforça: “Os dois laboratórios vão se complementar e aí eu vou ter um local onde eu vou ter uma massiva geração de dados (LaPeMa em Primavera do Leste) e no outro eu vou ter análise desses dados (LaBiMAS em Barra do Garças). Isso, para criar tecnologias para aplicação, é fantástico.”
A expectativa é que essas estruturas se tornem polos tecnológicos regionais, capazes de integrar inteligência artificial, ciência de dados, sensores, robótica e monitoramento ambiental. Como descreve o professor, o objetivo é criar condições tecnológicas que promovam a resiliência dos agroecossistemas e soluções acessíveis para produtores locais.
“A proposta foi pensada nessa rede entre esses dois campi para que a gente pudesse pensar tecnologias que criassem mecanismos de que essa terra, ou de que essa agricultura, perdurasse com mais tempo.”
Manutenção de equipamentos permitirá retomada de pesquisas em nove campi
O segundo projeto aprovado, na Carta Convite MCTI/FINEP/FNDCT/Vertical – CT Infra–IFES 002/2025, assegurará R$ 1.115.000,00 para manutenção corretiva e preventiva de equipamentos de pesquisa. O edital tem como objetivo garantir a continuidade das pesquisas científicas e tecnológicas em instituições federais, evitando interrupções por falta de manutenção.
No IFMT, os campi contemplados são: Alta Floresta, Campo Verde, Cuiabá – Bela Vista, Cuiabá – Octayde, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis, Primavera do Leste, Sorriso e Várzea Grande.
A pró-reitora Regina Olea explica que a proposta foi construída de forma institucional, a partir das necessidades enviadas por cada campus. “Nós, enquanto Pró-Reitoria, unificamos esses pedidos e transformamos numa proposta institucional, porque só quem poderia submeter era a instituição.” Com prazo de execução de 24 meses, o recurso será utilizado inicialmente para recuperar equipamentos parados, a prioridade do projeto.
“O impacto desse projeto será extremamente positivo, pois permitirá que equipamentos essenciais para as atividades de pesquisa voltem a funcionar, possibilitando novas pesquisas e proporcionando mais espaços de aprendizagem para os nossos alunos.” Além disso, Regina reforça que o resultado projeta o IFMT como referência regional na produção e transferência de conhecimento científico, colocando a instituição em um patamar de competitividade antes não alcançado.
Integração entre sociedade, captação de recursos e formação estudantil
A visão institucional para os próximos anos enfatiza o fortalecimento da pesquisa aplicada, inovação e empreendedorismo. Para o reitor Júlio César, essa integração é estratégica: “Na prática significa levar a nossa instituição, as nossas atividades para dentro da sociedade, para dentro dos setores produtivos, contribuindo com o desenvolvimento desses setores, criando produtos, processos, gerando negócios, gerando emprego, gerando renda.”
O reitor cita programas de referência como Solo Vivo, Maria Terra e Tereza de Benguela, que aproximam estudantes de comunidades urbanas e rurais, integrando-os a todo o ciclo de pesquisa — da coleta de dados à entrega de resultados à sociedade. Ele reforça que o estudante é o centro das ações da instituição: “De todas as formas possíveis, uma vez que o nosso estudante é nosso principal objetivo.”
As aprovações também refletem o início de um processo estratégico de fortalecimento da instituição para competir em editais nacionais e internacionais. O reitor destaca a necessidade de qualificar equipes e ampliar parcerias: “Apresentando projetos qualificados e preparados para receber esses recursos, para receber boas avaliações. Então, nesse sentido que nós estamos trabalhando, capacitando a equipe e preparando a instituição para receber cada vez mais recursos.”
Regina Olea complementa que a capacitação de servidores é essencial, citando experiências internacionais de docentes do PROFNIT e lembrando que a FINEP tem média de aprovação de apenas 1 projeto a cada 10 submetidos, o que reforça a relevância da conquista do IFMT.
A soma das duas iniciativas — laboratórios multiusuários e manutenção de equipamentos — representa R$ 9,9 milhões destinados ao fortalecimento da pesquisa científica do IFMT. Como pontuou Regina, esse aporte projeta o Instituto entre as principais instituições de ciência, tecnologia e inovação do estado. Ao final, o reitor ressalta o mérito coletivo: “Só para parabenizar a equipe da Pró-Reitoria de Pesquisas, equipe dos programas de pós-graduação, que foram os grandes responsáveis pela essa conquista do IFMT.”
Texto: Andrey Bonfim – Estagiário de Jornalismo – RTR
Revisão: Rafaela Souza – Jornalista – RTR

