Projeto Maria Terra, do IFMT, fortalece mulheres da agricultura familiar e expande atuação para 20 municípios de Mato Grosso

Realizado no IFMT Campus Cuiabá-Bela Vista, o 1º Encontro de Formação reuniu dezenas de lideranças de mulheres agricultoras, no dia […]

Realizado no IFMT Campus Cuiabá-Bela Vista, o 1º Encontro de Formação reuniu dezenas de lideranças de mulheres agricultoras, no dia 29 de maio, e celebrou a assinatura de termos de compromisso com mais de 50 coletivos e associações do estado.

O olhar voltado para o protagonismo das mulheres da terra ditou o tom do 1º Encontro de Formação para Coordenadoras dos Coletivos, Associações e Cooperativas do Projeto Maria Terra – Ciclo II, que apresentou resultados de ações que, desde 2024, conectam assistência técnica agrícola, inclusão produtiva e autonomia financeira para mulheres da agricultura familiar em Mato Grosso. O projeto Maria Terra, desenvolvido em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com o suporte da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do IFMT (FUNADIF), teve sua atuação regional significativamente ampliada e agora abrange 20 municípios mato-grossenses distribuídos em cinco polos territoriais.

No evento, estiveram presentes mulheres agricultoras, representantes de mais de 30 coletivos e comunidades tradicionais, que foram acolhidas para um dia de formações técnicas e institucionais, reforçando o intercâmbio de experiências entre as participantes, bem como momentos de integração e de apresentações culturais. O encontro contou com a presença de gestores do IFMT, da Conab e de lideranças comunitárias que reafirmaram a importância do programa para fortalecer a permanência com qualidade das mulheres e suas famílias no campo.

O Diretor-Geral do Campus Cuiabá – Bela Vista, professor Jairo Luiz Medeiros Aquino Júnior, recepcionou os presentes e destacou o papel educativo e social da instituição, enfatizando que “a extensão desempenha o papel vital de aproximar o IFMT da sociedade”. O gestor defendeu a necessidade de o campus comprar diretamente a produção das mulheres do projeto, estabelecendo uma meta institucional de destinar esses alimentos saudáveis integralmente à alimentação escolar, o que gera “um ciclo de desenvolvimento que transforma a realidade das famílias do campo e da comunidade acadêmica”, sublinhou.

Representando todas as mulheres das associações e coletivos presentes no encontro, Conceição Alini de Lima, do Coletivo Sementes da Resistência –  Associação dos Produtores Quilombolas da Camarinha, no Quilombo Vão Grande, localizado no município de Barra do Bugres, expressou gratidão à Conab e ao IFMT pelo acolhimento e suporte técnico recebidos, destacando que o projeto chegou em um momento importante que transformou a realidade local. Ela ressaltou, “através desse projeto, a nossa vida começou não apenas a ter sentido, mas passamos a ver esperança naquilo que sempre fizemos dentro da comunidade. Produzir é a nossa herança e cultura, saber para onde levar os nossos produtos e, assim, conseguir mudar a nossa vida socialmente, é algo que não tem preço”.

A Coordenadora-Geral do Projeto Maria Terra, professora Eloisa Rosana de Azeredo, agradeceu todo o suporte e apoio da direção do Campus Cuiabá – Bela Vista e defendeu que a aproximação entre a academia e o campo colherá frutos duradouros. “Queremos fazer com que as mulheres do Projeto Maria Terra tragam seus filhos para estudarem aqui, ou que elas mesmas venham fazer um curso e se capacitem cada vez mais”, afirmou. Na oportunidade, Eloisa ressaltou que o encontro priorizou a integração e a formação técnica de lideranças de diversas regiões, cuja autonomia conquistada já tem apresentado resultados, como, por exemplo, o “Café da Roça” servido no evento, organizado e abastecido com itens produzidos integralmente pelas próprias mulheres atendidas.

Para a Superintendente Regional da Conab em Mato Grosso, Franciele Tonieti Guedes, a união entre a Conab e o IFMT tem sido um “casamento perfeito” entre instituições que, embora distintas, compartilham o propósito de amparar, capacitar e instruir quem mais precisa e revelando que o projeto virou referência nacional em Brasília. Ela pontuou que o resultado já alcançado “é isso que a Conab esperava, é isso que o projeto Maria Terra quer que aconteça. Que vocês tenham independência e que vocês tenham um incentivo, uma produção e a autonomia produtiva e financeira”, reafirmando o compromisso de manter a instituição de portas abertas para acolher as novas comunidades participantes deste novo ciclo.

A ex-Diretora-Executiva de Administração, Finanças e Fiscalização da Conab, professora Rosa Neide Sandes de Almeida, destacou o papel do IFMT como uma das melhores instituições de ensino do país. Ela defendeu que o conhecimento é a chave para abrir portas em qualquer fase da vida das pessoas, além de assinalar que a educação tem transformado a vida das famílias rurais, garantindo novas perspectivas e a permanência no campo. Ao final, afirmou que “como professora e como cidadã, eu não vejo saída para as classes trabalhadoras se não for por meio do estudo.”

O Pró-Reitor de Extensão do IFMT, professor Frankes Márcio Batista Siqueira, representando o Reitor Julio César dos Santos, detalhou a importância estratégica de expandir o projeto para municípios com realidades mais complexas e desafiadoras, que apresentam baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ele reiterou que a missão do IFMT é reverter desigualdades históricas no campo, pontuando que “A extensão é a conexão entre o Instituto Federal, instituição pública de educação, com a comunidade.” Do planejamento macro ao impacto na renda familiar, o gestor celebrou o crescimento do programa, que agora atenderá mais de 500 famílias, garantindo autonomia por meio do ganho de produtividade local, pois “produzindo mais vai gerar mais renda para a família de vocês.”

Um dos momentos importantes do encontro foi a apresentação dos significativos resultados econômicos e sociais acumulados na primeira fase. Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), operacionalizado via Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (SICAN) da Conab, o projeto aprovou todas as 17 propostas submetidas, movimentando cerca de R$ 3 milhões na comercialização direta de alimentos da agricultura familiar produzidos pelas agricultoras associadas. A transformação também se reflete na regularização documental: o número de mulheres com o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) saltou de apenas 50 para 369 beneficiárias ativas, um crescimento superior a 600%. No eixo educacional, foram mais de 1500 certificados de capacitação emitidos pelo IFMT.

O encontro ainda apresentou o planejamento para o Ciclo II, que ficou a cargo da Coordenadora de Assistência Social do Projeto Maria Terra, Gloria María Grández Muñoz, que assumiu as atividades de apresentação e boas-vindas oficiais às lideranças dos coletivos e à nova equipe técnica de extensionistas responsável por gerenciar os polos de atendimento territoriais neste novo período.

O encerramento do encontro se deu por meio da programação cultural, com o lançamento da Edição Especial da Revista Digoreste e da estreia do documentário Projeto Maria Terra: Pelas Mãos Delas, que reuniram registros e depoimentos das visitas técnicas às comunidades associadas ao projeto nos anos de 2024 e 2025. A sessão de cinema foi marcada pela emoção e pelo reconhecimento das mulheres agricultoras que acompanharam as cenas registradas em suas comunidades. O documentário apresentou de maneira tocante as transformações em suas perspectivas de autonomia e permanência na terra. Foram 55 minutos que retrataram as histórias de desafios vividos e conquistas alcançadas ao longo destes dois primeiros anos do Maria Terra.

Dona Neide, liderança da Associação Mulheres Rurais em Ação, do município de Jangada, declarou que a iniciativa tem sido um divisor de águas em sua comunidade e em outras localidades onde as atividades vêm sendo desenvolvidas. “Eu só tenho a agradecer a vocês, porque vocês fizeram a autoestima de todo pequeno produtor aonde vocês estão passando, levantar. Vocês viram em nossa comunidade, o pessoal tá trabalhando e plantando. Vamos vender, não só para a Conab, estamos pensando em vender para hospital, quartel, o pessoal tá pensando grande”.

Assista ao documentário clicando no link.

Acesse a Revista Digoreste – Edição Especial – Projeto Maria Terra.

Veja mais imagens do evento.

Imagens e texto: Coordenação de Comunicação do Projeto Maria Terra

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